CORONAVÍRUS: DOS 853 MUNICÍPIOS DE MINAS, SÓ 69 TEM LEITOS DE UTI PELO SUS

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De acordo com o Estado, a estimativa é de que milhares de mineiros vão precisar de leitos clínicos e de UTI durante o pico do coronavírus. Previsão da Secretaria Estadual de Saúde é de que o pico de contaminação por coronavírus em Minas ocorra entre 3 e 5 de maio. 106 cidades do Estado já registram casos confirmados da doença.

Minas Gerais possui, atualmente, cerca de 6.000 leitos clínicos e 892 leitos de Unidade Terapia Intensiva (UTI) vagos no Sistema Único de Saúde (SUS), com capacidade de receber pacientes com suspeita de infecção por coronavírus.
Segundo a Secretaria Estadula de Saúde, Minas tinha 2.013 leitos de UTI em janeiro. Hoje, além desses, o Estado dispõe de 78 novos leitos e de outros 50 na rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que estão em processo de habilitação. Destinados a pacientes em estado de maior gravidade que necessitam de aparelhos e tratamento especializado, os leitos de UTI estão distribuídos entre apenas 69 dos 853 municípios mineiros. Enquanto isso, 106 cidades do Estado já registram casos confirmados de coronavírus.
“A concentração de leitos nas regiões Central, Triângulo e Sul de Minas é preocupante, uma vez que Norte e Nordeste têm uma população privada desses leitos de CTI. Caso a epidemia atinja municípios do Vale do Jequitinhonha, por exemplo, pode gerar um esgotamento rápido do sistema de saúde e uma alta taxa de mortalidade nessa população mais carente”, afirma o pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Unaí Tupinambás.
“O isolamento foi mantido em Minas exatamente para evitar as projeções do pico, evitando, assim, uma sobrecarga dos serviços de saúde, quando o número de casos é maior do que a capacidade operacional dos hospitais”, afirma a nota da secretaria. A previsão mais atual da Secretaria Estadual de Saúde é de que o pico de contaminação por coronavírus em Minas ocorra entre 3 e 5 de maio.
Estudos acadêmicos indicam cenários mais preocupantes. Uma simulação feita por oito pesquisadores da Escola de Engenharia e da Faculdade de Medicina da UFMG, publicada no dia 6 de abril, prevê que Minas terá uma demanda maior do que os leitos de UTI disponíveis a partir de 14 de maio, considerando um cenário otimista, que estima contaminação de 0,5% da população.
Em um cenário pessimista, de contaminação de 2% da população, os leitos de UTI devem se esgotar a partir de 4 de maio, e os comuns, a partir do dia 14 do mesmo mês. Conforme o estudo, dos 3.096 leitos de UTI de Minas, incluindo os públicos e privados, pouco mais de 900 estejam disponíveis para acolher pacientes com coronavírus.
Já num manuscrito divulgado no dia 1º de abril, pesquisadores da UFMG, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde previram que Belo Horizonte e região metropolitana poderiam ter os leitos hospitalares esgotados já a partir de 27 de março até o dia 1º de maio, dependendo das medidas paliativas implementadas.
O professor Unaí Tupinambás lembra que mais de 80% dos casos de Covid-19 tendem a ser leves a moderados, em torno de 15% exigem serviço hospitalar e menos de 5%, no geral, demandam leitos de UTI. “Vamos imaginar uma população de 100 mil habitantes e uma taxa de ataque de 10%, isso daria 10 mil pessoas. Dessas 10 mil, 500 a mil precisariam de leito de CTI, daí a importância do achatamento da curva, temos que diluir o número de casos ao longo do tempo. A medida mais importante para isso é o isolamento social”, pontua Tupinambás.
“Além do isolamento social, temos duas ferramentas interessantes e simples de serem colocadas em prática, que são a lavação de mãos e, agora, o uso da máscara caseira”, completa.

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